sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Uma Verdade Inconveniente IV (parte II)

Uma Verdade Inconveniente IV – Um casamento cómico que deu para chorar (parte II)
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(continuação...)

Algum tempo se passou. Trabalhavam na serralharia do Batista os dois, o João Marialves e o Cunha, ambos ainda na flor da idade. Trabalhavam e comiam chouriço e broa nas horas que o patrão saia.
Foi durante esse tempo que o Cunha começou a namorar com a filha do Ernesto Quintas, emigrantes em França e de férias em Portugal durante essas semanas. O chouriço e a broa foram substituídos pela rapariga francesa, ou seja, durante a ausência do Batista Serralheiro a rapariga ia ter com o Cunha, e ele produzia ainda menos do que antes.
Certo dia, depois de apanhar o Cunha dezenas de vezes a namorar em hora de serviço, o Batista Serralheiro teve uma ideia risível:
- Vinde cá! – ordenou o Batista depois de apanhar o Cunha novamente a namorar em serviço – vou-vos casar! – concluiu galhofando a ideia
 
Marcaram a hora. Para padrinhos o Batista chamou o seu pai e a sua irmã Margarida. Como a rapariga não falava português o Zé Maria Pistola serviu de intermediário e tradutor.
À hora combinada a rapariga aparece com o seu melhor vestido e com um bom penteado, como se de um casamento real se tratasse.
Toda a cerimónia decorreu naturalmente até às assinaturas do documento:
- Quero isso com separação de bens! – ordenou o Cunha em tom de gozo.

Foram todos para casa, inclusive o Cunha que como prenda folgou o resto da tarde, fartos de se rirem da brincadeira. Contudo nem toda a gente achou muita piada:
- Papa, je suis marié – diz a rapariga ao chegar a casa
- Tu estás o quê?! – berrou o Ernesto Quintas, agarrando num junco, e saindo pela porta fora
Estava o Cunha trancado no seu quarto. Tinha chegado aos ouvidos do pai que ele se tinha casado. À porta do quarto o pai esperava-o para lhe ir às trombas, enquanto no caminho o Ernesto Quintas vergava o junco à sua espera para lhe aquecer o lombo.

Jordão Cunha a "cagar estilo" na época

- Ui, ela pensou que aquilo foi mesmo verdade! – concluía o pensamento do Cunha enquanto imaginava o melhor método de escapar para não lhe “aquecerem o corpo”
Minutos depois, chega o Cunha novamente à serralharia:
- Ó Batista, ela pensou que o casamento era a sério! O pai dela está à espera que eu saia de casa para me bater! O que me valeu foi que saltei para o monte de mato (tojo) – dizia o Cunha entre suspiros e arranhadelas de mato.

A escritura do "casamento" mais caricato da história de S. Bartolomeu, com as respectivas, como não poderia deixar de ser, impressões digitais de ferrugem dos intervenientes.

1 comentário:

Anónimo disse...

Olha o Michael Jackson nos Argontins! Se algum fã americano sabe ainda compra S. Bartolomeu do Rego!

R.Ferreira